These are the Rodrigues.

David Rodrigues, investigador em Psicologia Social, e Nuno Rodrigues, designer gráfico, vivem juntos há 14 anos e são casados há nove. Com eles vivem também o Simão e o Bernardo, os dois cães que fazem parte da família.

A casa foi-se construindo ao ritmo da vida que partilham. Entre arte, design, moda e objetos carregados de memória, cada peça encontrou o seu lugar e passou a contar uma parte da sua história.

Localização: Lisboa

Autor: Carla Cantante

Fotografia: Guilherme Costa

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COMO COMEÇOU A VOSSA HISTÓRIA COM ESTA CASA?

Rodrigues A nossa relação com esta casa começou há 14 anos, quando o David se mudou. Embora cada um já tivesse o seu universo estético, rapidamente percebemos que partilhávamos uma forma muito semelhante de olhar para os espaços, os objetos e a forma como queríamos viver.

Ao longo dos anos, a casa foi acompanhando essa evolução. Primeiro acolheu aquilo que cada um trazia consigo e, mais tarde, começou a refletir as escolhas que fomos fazendo em conjunto. Nunca houve um plano rígido ou uma direção previamente definida. A identidade da casa foi surgindo de forma natural, através de peças que fomos descobrindo, de viagens, de memórias e de tudo aquilo que, por alguma razão, fazia sentido guardar.

O QUE VOS FEZ APAIXONAR POR ESTE ESPAÇO?

Rodrigues Na realidade, a casa foi sendo reimaginada quando passámos a vivê-la em conjunto. A decoração começou por adaptar-se aos nossos gostos e aos objetos que cada um já trazia consigo. Com o passar do tempo, deixámos de pensar apenas em preencher divisões e começámos a imaginar novos espaços de raiz, sempre em conjunto.

Nunca seguimos uma tendência ou um estilo específico.
O conforto foi sempre o ponto de partida e continua a ser
o elemento que une todas as escolhas que fazemos.

Hoje, a casa tem uma personalidade ainda mais vincada, construída pela mistura de objetos, cores, estilos e memórias que fomos acumulando ao longo dos anos.

#Uma casa onde cada
objeto tem uma história
e cada história encontrou
o seu lugar.

#Algumas das memórias mais importantes da casa vivem nos objetos que nunca conseguiríamos substituir.

QUANDO COMEÇARAM A IMAGINÁ-LA, O QUE QUERIAM CRIAR AQUI?

Rodrigues Desde o início, a ideia era clara: partilha. Uma casa de família, mas também um lugar generoso, preparado para receber. Um espaço onde amigos e família se sentissem imediatamente à vontade, onde fosse possível fazer barulho, rir alto, ouvir música ou simplesmente estar, sem a preocupação de incomodar.

Sempre olhámos para esta casa como um playground. Um lugar para ser vivido em plenitude, por nós e por quem entra. Música, jogos, movimento, arte nas paredes, festas improvisadas.

A casa tinha de permitir tudo isso sem preparação, sem aviso. Abrir a porta sempre foi natural. Gostamos de receber, de misturar pessoas, de criar momentos.

No fundo, queríamos um espaço onde a vida pudesse simplesmente acontecer. Uma celebração contínua, serena da vida, sem presa.

EXISTE ALGUM DETALHE OU CANTO DESTA CASA COM UM SIGNIFICADO ESPECIAL?

Rodrigues Existem muitas histórias espalhadas pela casa e quase todas elas estão ligadas a um objeto. Ao longo dos anos fomos reunindo peças que nos encontraram em diferentes momentos da vida e que, por razões muito distintas, acabaram por ganhar um significado que vai muito além da sua função ou valor estético. São memórias materializadas, pequenos fragmentos da nossa história que continuam presentes no dia a dia e que nos fazem reviver pessoas, lugares e momentos importantes.

Entre todas essas peças, há duas e um canto da casa pelos quais sentimos um carinho muito especial. A primeira é um relicário dedicado ao amor, que acabou por se tornar a peça do pedido de casamento
e que, desde então, ocupa um lugar simbólico na nossa história. A segunda é um cão construído a partir da base de um banco e de peças de madeira reaproveitada. Representa o Zé Puto, um cão que também fez parte da nossa família e que foi muito feliz nesta casa.

Há ainda um canto que reúne um conjunto de ex-votos dedicados ao amor e à paixão. A um deles acrescentámos a chapinha do Zé Puto, transformando-o numa homenagem discreta, mas profundamente emotiva. Curiosamente, todas estas peças pertencem à Oficina Marques, uma coincidência que acabou por criar uma ligação ainda mais especial entre elas.

Mais do que elementos decorativos, são testemunhos da nossa história. Cada um guarda uma memória, um afeto ou um momento que continua a viver connosco e a dar sentido à casa.

O QUE ESTA CASA DIZ SOBRE QUEM VOCÊS SÃO?

Rodrigues A casa é, acima de tudo, um reflexo daquilo que somos. Revela a nossa personalidade, a nossa alegria e a forma leve com que procuramos viver o dia a dia. Mas fala também da curiosidade com que olhamos para o mundo e da liberdade com que gostamos de cruzar referências, épocas, cores, materiais e linguagens.

Nunca sentimos necessidade de seguir um estilo específico ou de criar um espaço que obedecesse a uma tendência. Pelo contrário, fomos deixando que a casa evoluísse connosco, acolhendo as experiências, os objetos e as histórias que fomos reunindo ao longo do tempo. Cada escolha acrescentou uma nova camada à sua identidade e ajudou a construir um espaço que sentimos verdadeiramente nosso.

Hoje, quando olhamos para a casa, reconhecemo-nos nela. Não apenas pelas peças que a compõem, mas pela forma como todas elas convivem entre si e contam uma história comum.

Se tivéssemos de a definir numa expressão, seria "uma miscelânea curiosa" — um lugar onde diferentes influências coexistem de forma espontânea, refletindo a liberdade de sermos exatamente quem somos.

#Their sense of aesthetics shapes the way they live.

#É ela que une arte, design
e memórias numa casa profundamente pessoal.

DE QUE FORMA A CASA ACOMPANHA A VOSSA ROTINA E A VOSSA VIDA EM FAMÍLIA?

Rodrigues ‍ ‍Aqui passamos grande parte do nosso tempo, até porque trabalhamos muitas vezes a partir de casa. Nos dias de trabalho, cada um ocupa o seu espaço, mas encontramo-nos sempre para as refeições e para cuidar do Simão e do Bernardo, que fazem parte da rotina tanto quanto nós.

Quando o dia termina, é também aqui que desaceleramos e aproveitamos o conforto que a casa nos oferece. Mas a casa ganha uma dimensão diferente quando recebe família e amigos. Muitas das nossas celebrações são feitas aqui e são esses momentos de partilha que continuam a dar vida aos espaços.

A casa acompanha-nos em tudo: no trabalho, no descanso e nas memórias que continuamos a construir.

"DESIGN IS HOW YOU FEEL." COMO É QUE ESTA CASA VOS FAZ SENTIR?

Rodrigues É uma casa vibrante, que nos faz sentir confortáveis, seguros e profundamente ligados ao lugar onde vivemos. É um espaço que nos inspira diariamente, não apenas pelas peças que o compõem, mas pela forma como cada detalhe convive com os restantes e continua a despertar a nossa curiosidade.

Há sempre algo que nos chama a atenção, uma combinação diferente, uma memória que regressa ou um novo olhar sobre um objeto que já faz parte da casa há anos. Talvez seja por isso que sentimos que este é um espaço vivo, que evolui connosco e nunca deixa de nos surpreender. A cor, a luz, a mistura de referências e a presença das nossas histórias fazem com que a casa tenha uma energia muito própria.

No fundo, é uma casa que nos faz sentir exatamente como queremos viver: livres, tranquilos, curiosos e rodeados de tudo aquilo que nos inspira.

O design está presente em cada detalhe, mas é a forma como a casa nos faz sentir que lhe dá verdadeiro significado.

#A curiosidade vive em cada escolha.

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ACREDITAM QUE OS ESPAÇOS INFLUENCIAM A FORMA COMO VIVEMOS?

Rodrigues‍ ‍Concordamos plenamente. Quando não nos identificamos com um espaço, é muito difícil conseguirmos sentir-nos verdadeiramente relaxados ou sentir que pertencemos àquele lugar.

No nosso caso, essa ligação acontece de forma muito natural através dos objetos que nos rodeiam. São peças carregadas de história pessoal, de afetos e de significado, que fazem com que a casa seja muito mais do que um espaço bonito. É um lugar onde nos reconhecemos.

É essa dimensão emocional que transforma um espaço numa verdadeira casa.

No fim, percebemos que o melhor desenho desta casa nunca esteve nas paredes, mas na vida que acontece dentro delas.

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